
Os rapazes se fantasiavam de mascarado ou clóvis ou bate-bola, sendo todos esses nomes sinônimos. O grande barato desse mistério acerca da vestimenta carnavalesca era o de não sermos reconhecidos pelos coleguinhas da rua ou pelos conhecidos. E as fantasias eram belíssimas, desde a combinação de cores do macacão até a ornamentação da capa (com belos bordados em lantejoula) que completava a indumentária.
Como não poderia ser diferente comigo, eu também cismei de me fantasiar de clóvis e queria ser igualmente não reconhecida pelos outros, como todo mascarado pretendia. Mas, por motivos óbvios, essa intenção ficou só na vontade mesmo. Apesar do fato de eu ser menina e poder optar por fantasias mais femininas, como a de havaiana, baiana e odalisca, teimei em sair de bate-bola, com macacão, máscara e tudo, num certo carnaval lá pela minha pré-adolescência.
Resultado: todo mundo me reconheceu no instante em que eu botei minhas queridas rodinhas na esquina. Fiquei tirica da vida! Voltei imediatamente para casa e, para a alegria de minha mãe, vesti minha fantasia de havaiana, amarelinha, linda. Saí de novo para a rua e ainda disse para a molecada que aquele macacão de bate-bola era muito quente e que estava me sufocando... Moral da história: mais importante do que não conseguir o anonimato foi ter uma desculpa estilosa para justificar meu plano B. Modéstia à parte, isso é que é ser chique no úrtimo!