
Trocando em miúdos, quero dizer que existem pessoas positivas e negativas, animadas e paradonas, divertidas e ranhetas, legais e “malas” e isso não tem necessariamente a ver com a condição física, ou até social, intelectual, econômica, religiosa, política ou sexual de cada um. Se uma certa pessoa deficiente é depressiva e vive reclamando da vida, mesmo após ter o problema locomotor por anos, ela NÃO OBRIGATORIAMENTE era feliz e bem resolvida antes de ficar nessa condição. Trata-se de uma “mala” e pronto. Por outro lado, um ser humano que está quase sempre de bom humor e fazendo piadas com a própria condição física prejudicada, não significa que esse indivíduo haja dessa forma como fuga do seu problema ou porque queira ratificar sua superação dessa maneira exibicionista. Ele certamente é um cara divertido e pronto.
Portanto, assim como qualquer SER HUMANO, existem cadeirantes obstinados por atividades físicas, aficionados por esportes, viciados em trabalho e loucos por viagens, mas também existem aqueles que preferem ficar na deles, com uma vida mais caseira, voltada a atividades intelectuais e sem grandes badalações. Sem falar nos que oscilam num meio termo entre as duas situações.
Atenção: NEM TODO cadeirante que prefere uma vida meio sedentária o faz por não ter outra opção. Idem para os que optam por esbanjar vitalidade e agitação. Aconselho os cadeirantes a serem sinceros ao declarar o estilo de vida que preferem, de acordo com suas vontades e suas personalidades e que parem de usar suas limitações físicas como desculpa para TUDO o que lhes contraria ou que deixam de realizar. Aos não deficientes, sugiro que vejam o ser humano antes do deficiente e que aprendam a separar o que está relacionado às particularidades do temperamento da pessoa daquilo que tem a ver com as marcas da deficiência.
Sem esse esclarecimento sincero e essa distinção decente das coisas, as medidas tomadas para que haja a inclusão plena do deficiente físico na sociedade vão continuar sendo, de certa forma, piegas e utópicas.